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METODOLOGIA DE ESTUDO

January 22, 2017

 

Nestes tempos modernos, a palavra que mais ouço é metodologia. Metodologia para alunos avançados, metodologia para alunos de terceira idade, metodologia para crianças e adolescentes, etc. Porém, particularmente falando, pouco ouvi falar sobre metodologia de estudo, fato este que deixa um tanto quanto intrigado.
Leciono guitarra há vinte e cinco anos e pude observar muitos alunos talentosos. Alguns dedicados, estudiosos e esforçados. Outros confiando apenas em seu talento. O que é certo ou errado não é a questão que levanto aqui. Abordo a questão de como estudar de maneira adequada e objetiva.
Nestes anos todos, presenciei vários alunos que estudavam várias horas nos finais de semana e ficavam uma semana inteira sem sequer olhar para o instrumento. Também conheci alunos que estudavam em média oito horas por dia o seu instrumento, tinham uma técnica perfeita, mas a musicalidade ficava em segundo plano.
A proposta nesta apostila não é o estudo quantitativo, mas sim o qualitativo. Resumindo, o que importa não é o quanto se estuda, mas sim a maneira que se estuda.
Vamos imaginar o seguinte cenário: você tem de estudar a escala maior. Digamos que você tenha que estudar dez digitações da escala maior em apenas uma oitava. Agora suponha que você estude cada uma das dez digitações por dois minutos cada. Parece pouco tempo? Experimente fazer isso e verá que parece ser interminável, pois o tempo é relativo. Imagine agora se você ficar submerso em uma banheira cheia cubos de gelo, durante os mesmos dois minutos. Parece pouco tempo?
Resumindo, se o aluno estiver focado e concentrado, é possível em vinte minutos diários fazer um eficiente estudo destas digitações. Isso é objetividade, pois o tempo rende e proporciona a sensação de que estudou por horas. Experimente estudar durante uma semana desta forma e veja o resultado alcançado.
Eu costumo dividir os meus estudos em três grandes grupos: mecânico, racional e emocional. E subdivido estes grupos em tópicos, para que o estudo seja sempre direcionado e objetivo.
Para a parte mecânica e racional, faço uso de um cronômetro para que estas etapas sejam divididas de forma que eu aproveite ao máximo esta parte do estudo. Para a parte emocional (onde envolve a criatividade), costumo deixar livre, com o objetivo de fazer música, com os estudos mecânicos e racionais. Segue abaixo uma proposta de estudo organizado.
A. Estudos mecânicos:
Desenvolvimento técnico —> palhetada alternada, sweep picking, ligados, tapping e palhetada híbrida, precisão rítmica, sonoridade, elementos de interpretação (bends, slides, vibratos, alavanca, etc).
Conhecimento do braço —> notas naturais e notas alteradas no braço da guitarra, escalas maior, menor natural, menor harmônica, menor melódica, maior harmônica, pentatônicas maiores e menores (incluindo as pentatônicas blues), modos gerados pela escala maior, menor harmônica, menor melódica e maior harmônica, escalas simétricas (tons inteiros, diminuta, dominante diminuta, cromática), arpejos (tríades maior, menor, aumentada e diminuta), arpejos (tétrades M7M, M7M(#5), M7, M7(#5), M7(b5), m7, m7(#5), m7M, m7M(#5), m7(b5) e diminuto), intervalos no braço da guitarra, possibilidade de digitação dos acordes (incluindo inversões e tensões), condução de vozes, acordes quartais e acordes com corda solta.
B. Estudos racionais:
Conhecimento dos campos harmônicos, substituições diatônicas, uso de notas de tensão, dominantes secundários e substitutos, cadências II – V (maiores e menores), funções do acorde diminuto, resoluções do trítono, acordes de empréstimo modal; modulação, harmonia quartal, modalismo e ciclos harmônicos, estudos de intervalos, formação de escalas, formação de acordes, relações acorde x escala, substituições de arpejos, leitura.
Improvisação —> centros tonais, dominantes secundários e substitutos, utilização de escalas pentatônicas e blues, utilização de escalas simétricas, aproximação cromática, fraseado, desenvolvimento de motivos, transcrições, repertório e análise.
C. Estudos emocionais:
Composições, arranjos, enarmonização, criação de frases (fraseologia), pesquisa de timbres, visita a museus, exposições fotográficas, leitura de livros, visitas ao cinema, passeios, etc.

Quais são os “materiais” que devo organizar para meu estudo?
 Materiais Mecânicos (Execução) – Palhetada Alternada, Sweep Picking, Economic Picking, Tappings, Palhetada Hibrida, Ligados (Legato Playing) e Fingerstyle.
 Materiais Mecânicos (Interpretação) – Bends, Slides, Vibratos, Alavancadas, Troca de Captadores, Dinâmica, Volume.
 Materiais Mecânicos (Digitações) – Escalas, Tríades, Tétrades e Acordes (todos os tipos e todas as inversões) em toda a extensão do braço.
 Materiais Racionais (Teoria) – Intervalos, Figuras Rítmicas, Campos Harmônicos, Leitura de Partitura, Escrita de Partitura, Percepção, Solfejo (Rítmico, Melódico e Rítmico-Melódico), Harmonia Funcional e Análise.
 Materiais Racionais (Repertorio) – Levadas Rítmicas (Grooves), Estilos (Rock, Jazz, Country, Música Brasileira, Blues, Funk, Folk e etc.), tocar músicas inteiras (um estilo por semana), audição analítica (elementos que fazem parte da música).
 Materiais Emocionais (Livre escolha) – Interação com o mundo, visitar museus, exposições, cinema, parques e etc.
 Materiais de “Apoio” – Livros (Harmonia, Solfejo, Divisão Rítmica, Partituras), Cadernos para anotações, Caderno de Música (Partitura), Discos (Vários Estilos), Metrônomo, cadeira confortável, água (sucos, café ou chá) e biscoitos (de sua preferência).
Planejando o Estudo
Criar uma agenda de estudos organizada de acordo com a própria necessidade. Tempo de estudo (horas) é relativo. É importante agregar novos elementos na maneira de tocar. Evite estudar aquilo que já conhece. Para o estudo mecânico tente manter um tempo cronometrado para melhor rendimento e gerenciamento do estudo. Proponha-se desafios e trace objetivos a curto, médio e longo prazo. Mantenha sempre o foco.
Tenha sempre tudo anotado para uma melhor organização. A cada objetivo alcançado, trace outro. Mantenha-se sempre motivado. A cada item estudado, dê uma pausa para que o cérebro se “aquiete” e desligue-se de distrações (internet, celular, computador, facebook e whatsaap). Mantenha hábitos saudáveis e estude por prazer e não por obrigação. Estude para se fazer feliz e não para fazer o externo feliz.
Ao estudar um determinado exercício ou uma determinada folha de exercícios, mantenha o foco sobre isso. Uma dica interessante é usar este exercício ou folha de exercícios e estudar durante sete dias. Não precisa ser sete dias consecutivos, mas é muito importante que sejam sete dias. Porque nosso cérebro para aprender um determinado movimento ou aprender uma determinada formula, ele precisa de repetição até que as informações estejam amadurecidas nele. Após os sete dias, passe para um novo exercício ou uma nova folha.
Ao estudar um livro, tente não sair e ir para outro livro. É importante que você estude o livro da primeira até a ultima página para que seu desenvolvimento seja satisfatório.
CONCLUSÃO
Agora é com você. Adapte estas dicas de estudo conforme suas necessidades e estude dentro da “sua praia”, do seu estilo.
Grande abraço e bons estudos.

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