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Entrevista - Mauricio Cailet

March 18, 2017

       Nascido em 1972 em SP/Capital, Mauricio Cailet começou seus estudos ao violão com seis anos de idade, optando pela guitarra aos 11. Profissionalmente na ativa desde 1987, quando participou de uma das formações da banda de heavy-metal paulistana Harppia substituindo o guitarrista Flávio Gutok durante um curto período, gravando o programa Boca Livre na TV Cultura nessa breve passagem pela banda. De 1995 até 1998 gravou para diversas duplas sertanejas como músico contratado do estúdio Creative Sound.

      O álbum "Time's Up" teve ótimas críticas e avaliações em diversas publicações (Roadie Crew, Combate Rock, Metal Militia, Hard and Heavy, dentre outros).

      Algumas características da música de Cailet são as convenções inspiradas na música erudita e no fusion, temas instrumentais inspirados em experiências pessoais e cotidianas que claramente contam uma história (estrutura muito utilizada no rock progressivo), utilização de artifícios composicionais tais como contraponto e condução de vozes, porém sem deixar a influência rock’n’roll de lado. Além destes pontos, Cailet é conhecido pelo seu bom gosto para timbres e melodias.

      Atua como parceiro de alguns fabricantes de equipamentos musicais, auxiliando no desenvolvimento de produtos (Music Maker Custom Shop, Tecniforte Cables, Jam Cases, NewKeepers Bags e Palhetas Online).

Uma das mais renomadas “custom shop” do Brasil (Music Maker) desenvolveu uma guitarra sob as especificações técnicas de Cailet, gerando o modelo M2C que já está disponível para encomendas no site da empresa: http://www.musicmaker.com.br/produto/ltd-special/guitarra-music-maker-ltd-m2c-drop-top-quilted-bengal-burst-284.mstp

 

1. Obrigado Mauricio Cailet por esta entrevista. Muitos conhecem o seu trabalho como guitarrista,  gostaria que você se apresentasse aos internautas e falasse um pouco do seu trabalho solo.

 

Comecei a tocar profissionalmente aos 15 anos de idade na banda Harppia, tive algumas bandas autorais de Heavy Metal em meados dos anos 80, nos anos 90 toquei em bandas cover (classic rock, country e pop rock), participei do primeiro Quarteto de Guitarras da America Latina a executar obras Eruditas (Quadrivium), iniciei meu projeto de música instrumental em 1997 e no final dos anos 90/começo dos anos 2000 fui transcritor da Revista Cover Guitarra. Sou produtor executivo de Mostras Culturais desde 2008 (Mostra Guitarras do Brasil, dentre outras) e fiz algumas traduções técnicas das biografias de Brian May e Jimmy Page em ais recentemente fiz parte da banda do trabalho solo do Ivan Busic, onde ele cantava e não atuava como baterista, além de ter tocado numa banda cover de Pop Latino, o que foi uma experiência muito agradável e uma nova linguagem musical no currículo.
Meu trabalho instrumental é algo que se mistura com minha vida pessoal, pois procuro passar experiências que vivi (não apenas musicalmente) nas minhas composições. Prezo pela música como resultado final e não apenas meras demonstrações de virtuosismo no instrumento (o que na realidade, nem é meu caso). Faço a música que gostaria de ouvir e fico feliz quando minha música emociona os ouvintes!

                                                                                      Imagem por Silvana Paula e Weverton de Matos.

 

2. Percebo que você traz várias influências à música instrumental e ao rock, e desejaria saber quais bandas ou guitarristas mais te influenciaram?

 

Bom, minha maior influência na área composicional é Steve Morse, mas outros grandes guitarristas me inspiram nos riffs e fraseado, tais como Jeff Beck, Joe Satriani, Randy Rhoads, Eric Johnson, Brian May, Jan Akkerman (Focus) e Tom Scholz (Boston). Bandas que gosto muito de ouvir: Dixie Dregs, Lynyrd Skynyrd, Boston, Toto, Yes e Rush. Talvez alguns elementos de todas essas bandas (e outras que não lembro agora) influenciem meu som. Claro, alguns elementos da música Erudita também fazem parte do meu som (discretamente)!

 

3. Como você avalia o alcance da música instrumental no Brasil?

 

Entre os anos 70 e 90, a música instrumental no Brasil teve um tremendo espaço, era largamente utilizada na TV em aberturas de programas jornalísticos e esportivos, além de comerciais e peças publicitárias. Tivemos grandes expoentes do estilo, que inclusive se apresentaram no Festival de Jazz de Montreux e isso realmente deu indícios que, além da qualidade musical do brasileiro ser digna de respeito no mercado mundial, o estilo teria um mercado promissor no país. Infelizmente o mundo caminhou em outra direção e aqui sentimos com mais intensidade, já que nem chegamos a ter um cenário sólido... Nos anos 90, quando as pessoas saiam de casa pra apreciar a música instrumental e grandes instrumentistas tiveram seus nomes reconhecidos do grande público e por grandes artistas da música popular, algo deu errado...rsrs.

 

4. Como é pra você a cena local? Quais são as maiores dificuldades que vocês tem em sua região e também com a cena no Brasil com relação ao público e shows?

 

Simplesmente o cenário de apresentações constantes e público indo em casas noturnas procurando trabalhos instrumentais não existe mais, por outro lado, acho que nunca se produziu tantos trabalhos de qualidade neste estilo, o que é paradoxal. Talvez a facilidade da produção "caseira" com o uso de programas de gravação e edição musical, simuladores de amplificadores e plug-ins diversos, tenha estimulado os compositores e músicos a registrarem efetivamente suas ideias e distribuí-las no formato digital ou ainda em formato físico, já que o custo de prensagem do CD caiu muito de alguns anos pra cá. Na outra ponta deste mercado,  existe uma dificuldade muito grande em fazer o público deste tipo de som sair de casa para prestigiar música instrumental. Shows com remuneração justa ficam apenas nas mãos dos Festivais - que diminuíram muito perto do que existia nos anos 90 - ou das unidades do SESC, que também tem diminuído exponencialmente a quantidade de shows de música instrumental. Me parece que este estilo ficou relegado apenas a Workshops ou a alguns poucos locais que trabalham prioritariamente Jazz, ou apenas a apreciação em vídeos ou a audição dos álbuns. Quando você tem um trabalho com pegada mais Rock e Fusion (como no meu caso), a opções de apresentações ao vivo ficam mais restritas.

 

5. Qual foi o show mais importante que realizou, aquele que ficou marcado em sua carreira?

 

Tive a oportunidade de fazer alguns shows memoráveis, até em outros estilos que não de música instrumental, porém o que mais me marcou foi o que provavelmente teve menos público em números absolutos e não foi num grande teatro ou casa de shows, mas a qualidade do público foi sensacional!
Com o Quarteto Quadrivium tocamos numa escola infantil em 1997 e o público era composto de crianças entre 3 a 7 anos de idade e seus pais. Imagina a emoção em tocar obras Eruditas de Bach, Mozart e Vivaldi com quatro guitarras com overdrive e a criançada curtindo, batendo o pezinho, dançando e algumas até regendo o quarteto com canudinhos! rsrs
Essa apresentação me marcou profundamente! A sinceridade das crianças é algo que me emociona até hoje.

 

6. Como você estuda?

 

De uns anos pra cá, tenho estudado rítmica com muita constância. Também pesquiso e monto meus riffs e frases e pratico exaustivamente, pois cada músico tem uma "voz" única e isso merece muita dedicação e desenvolvimento. Com a correria do dia-a-dia, estudar 3 ou 4 horas diárias sem interrupção é algo bastante raro, porém sempre tenho uma guitarra próxima para estudos de ao menos 30 minutos por vez, durante o dia. Provavelmente eu estude mais que as 4 horas de tempos atrás, porém de forma fracionada. Estudo de técnica e harmonia acontece naturalmente quando você compõe, já que transferir as ideias da sua mente pro instrumento só é possível com o mínimo de domínio harmônico, rítmico e técnico. Continuar tirando as músicas de outros artistas "de ouvido" (para os trabalhos com bandas cover) é um exercício eterno, o qual aconselho para qualquer músico!

 

 

7.Você trabalha com alguma marca que lhe apoia? qual a relação de endorsement e endorser no país, na sua opinião.

 

Sim, Já tive apoio de algumas importadoras no passado e atualmente trabalho em parceria com alguns fabricantes nacionais de equipamentos musicais. Estou desde 2005 com a PalhetasOnline, 2010 com a Tecniforte Cables, 2011 com Jam Cases, 2013 com a Music Maker Custom Guitars (onde desenvolvi com o luthier Ivan Freitas meu modelo de guitarra "signature",  a LTD Special M2C), ASE Press Music (assessoria de imprensa) e mais recentemente com a New Keepers Bags. Sempre trato essas empresas como parceiras e não patrocinadores, até porque não recebo um salário pra utilizar determinado equipamento e em alguns casos pago um valor especial nos produtos (bem abaixo do mercado). Só utilizo o que realmente acho bom e me é útil, portanto quando divulgo algo, é porque realmente acredito naquele determinado produto. Costumo atuar como desenvolvedor e sempre sugiro algumas melhorias em materiais, processos de fabricação e até marketing de alguns produtos dos meus parceiros.

Tenho visto uma tremenda inversão de valores, onde muitos músicos acham que ter seu nome atrelado a determinada marca vai lhe garantir uma carreira. O inverso é a verdade: desenvolva uma carreira sólida e relevante para poder endossar determinada marca ou equipamento! Sinceramente, não preciso ganhar alguns pedais ou uma guitarra pra continuar meu trabalho musical. Equipamento eu compro com o fruto do meu trabalho, que inclusive inclui gravar "reviews" de equipamentos que não tenho nenhum contrato de parceria, mediante remuneração...

 

 

8.Qual os benefícios e malefícios, em sua opinião, que a Internet trouxe à música?

 

A Internet é um belo campo com grama bem verde e belas flores, porém minado...Se você der um passo em falso ou não analisar bem onde pisa, pode ser traiçoeira! É uma tremenda ferramenta para conhecermos e termos acesso a novos trabalhos musicais (ou até a trabalhos antigos e clássicos), algo que era impensável até o fim dos anos 90! Facilita muito a divulgação do seu trabalho para o mundo, além de facilitar bastante o estudos sobre diversos assuntos, música inclusive. Mas as pessoas tem que ter um ótimo filtro, pois nem tudo que está disponível na Internet tem boa qualidade, bom conteúdo ou é verdade. É um terreno especialmente perigoso para o estudante de música iniciante, já que por total falta de referência ou orientação, pode tomar algumas informações errôneas  como verdades absolutas. A Internet deu voz a todos, amadores, profissionais, aficionados ou meramente interessados em determinados assuntos. Tem muita coisa boa disponível, mas também muito conteúdo ruim, talvez até em maior proporção. Por outro lado, aumentou a tendência das pessoas não se deslocarem do conforto de suas casas para apreciar seu músico preferido "in loco", o que ao meu ver é prejudicial para todo mundo. Quem produz material novo precisa da presença do público para a roda continuar girando e quem estuda ou aprecia boa música, está perdendo a melhor das experiências, que é sentir a pressão sonora e conversar com seu ídolo ou referência sem edições ou pós-produção.

 

 

9. Agradecemos muito a sua entrevista, qual seu conselho aqueles que estão iniciando no estudo da guitarra?

 

 

Aos iniciantes, tenho algumas recomendações: Estude sempre com a orientação de um bom professor ou instrumentista profissional, sempre pratique com metrônomo (poucas coisas são piores que um músico sem precisão rítmica), dê muita atenção aos bendings (tá aí uma coisa pior que um músico sem precisão rítmica...Guitarrista que não afina bend é péssimo de ver/ouvir), estude as formas de expressão no instrumento exaustivamente (bends, vibratos e dinâmica), tenha a mente aberta a outras linguagens e estilos musicais, sempre tire as músicas "de ouvido" (pois assim treinará percepção) e tenha em mente que música não é competição e o que você toca - e como toca - é mais importante que o equipamento que possui! Bom equipamento é necessário sim, afinal são suas ferramentas de trabalho, porém cada coisa a seu tempo...Nunca coloque o "carro na frente dos bois", se especialize como instrumentista, consiga bons trabalhos na área e vá adquirindo equipamentos melhores com o tempo!
Agradeço imensamente a oportunidade deste bate-papo!

 

Links:

 

Youtube: http://www.youtube.com/TheMCailet

Facebook:http://www.facebook.com/Mauricio-Cailet-Guitarist-501498510009781/

 

 

 

 

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